Sunday, June 28, 2009

beber e escrever é a solução

Caros amigos, o tempo voa e eu acho que está passando mais rápido do que nunca nesta minha curta vida. Será que eu estou indo muito devagar? Encontrei o Paulo Corrêa para comprarmos nossas passagens para Parati, pois na quarta-feira estaremos lá na abertura da FLIP vendo os shows de Romulo Froes e Adriana Calcanhotto.

Comprar passagens de ônibus é tão chato quanto amarrar os sapatos. Claro que o motivo para estas duas ações costumam ser boas. Partir, andar, viajar... Mas comprar passagem ou ingressos para eventos e amarrar sapatos é muito chato. A gente perde muito tempo fazendo isso, você já calculou? Só para garantir alguns ingressos para as mesas lá da FLIP fiquei 47 minutos no telefone e gastei 16 reais. É ridículo perder tanto tempo assim. Entende o motivo d'eu querer o teletransporte?

Enquanto aguardava meu caro amigo jornalista na rodoviária de Limeira, que não tem nem um lugar decente para ficar, comprei a Rolling Stone e fiquei folheando. Vez ou outra levantava a cabeça para observar umas bundas que por ali passavam. Algumas não pareciam ser bundas limeirenses, mas como ando meio desligado e há um tempo não saio por aqui não dá para precisar. Eram três da tarde, o Paulo tinha combinado de tomar umas com minha colega de classe Dani Marchiori. Eu tinha (tenho) uns trabalhos para fazer antes de viajar, mas não achei justo sair apenas para comprar passagens, isso é muito chato. Então fui ao boteco.

A Dani foi para a Itália, voltou há uns dias e o cartão postal que ela me prometeu ainda não chegou em casa. Botamos o papo em dia na companhia do grande Cristiano Kock Vitta com quem divaguei por horas sobre jornalismo. É uma aula trocar uma ideia com o Cris, sem puxa-saquismos. Gosto da visão que ele tem da profissão e dos conflitos que ele vive. Só quando ele fica muito bêbado eu não consigo conversar muito mais (mas sem crises, Cris), mas hoje em especial tivemos um papo bem produtivo, inclusive sobre blogs e a não obrigatoriedade do diploma para ser um jornalista.

Eu tenho muitos amigos jornalistas. Mesmo tendo estudado tão pouco na faculdade criei uma brodagem com estes caras que foi bacana e importante para eu fixar residência aqui na cidade. Na tarde de sábado encontrei com os parceiros de boteco, os jornalistas André Montanhér e Luiz Biajoni (que já polemizou bastante esta questão de não ter diploma e trabalhar como jornalista, bem antes desta decisão do STF) e o músico e arquiteto Maurício Cash. Fomos para nossa primeira missão para a coluna Além dos Botecos em um bar que nunca tinha pisado antes. A nova coluna entra no ar em breve.

À noite encontrei Oliver Mann, Janaína Botechia, Agnaldo Rodrigues, Dani Graf e todo o povo da confraria da laje na festa da Aure que comemorava o aniversário. Comentei da coluna e os caras se revoltaram porque a ideia de analisar os bares da região surgiu quando tomávamos umas no bar do Rizzo há uns dois anos. Isso é engraçado, porque a ideia fica na gaveta por anos e ninguém mais toca no assunto, quando a gente resolve botar em prática a galera se rebela dizendo que traímos o grupo. Óbvio que esta polêmica é importantíssima para repercurtir (uma mistura de repercutir e curtir, sacou?) a parada. Como diz Marcelo D2: vamos fazer barulho! (ei, eu só tô tirando onda, a gente faz barulho prá gente mesmo e é isso o que importa, mas quem sabe um dia...)

Bom, a questão é que o espaço está aberto para os brothers e sisters que quiserem participar. Beber em boteco é um grande barato e estar com os amigos é importantíssimo. E acho legal, hoje, poder estar na roda com os amigos e também com meus irmãos e cunhada. Vivemos um momento raro de nossas vidas, porque nunca saímos juntos e agora anda rolando isso, fico feliz pacas.

Ainda sobre a nova coluna. Biajoni e Paulo Corrêa sugeriram criar um blog para o Além dos Botecos. Hoje tentei criar um no wordpress e no blogger. Nem um nem outro me agradou, não gostei dos layouts que encontrei, da cara que o blog ficou, então a coluna vai ficar aqui mesmo. Sugeri ainda que fosse uma coluna itinerária. Rodamos de bar em bar e escrevemos de blog em blog. O Guina achou que deve ficar aqui mesmo. Eu concordo com ele. Se tiverem outras sugestões, opinem, mas como gosto de dizer: isso aqui NÃO É UMA DEMOCRACIA!

Estava com saudades de dar as caras por aqui. Vou ver se escrevo mais agora em julho. Talvez direto da FLIP, talvez na volta, amanhã, talvez...

*****


Um PS do tamanho de um post:

Todo o povo que bloga que foi citado no post está linkado aí do lado. Mas tem um blog que não está aí na lista que é o ALA & Amigos, o blog da Associação Limeirense de Atletismo, que é a menina dos olhos da Dani Graf.

A lista de links tá bem maior. Confira:
  • o blog do Nada Audiovisual, que você ainda vai ouvir muito por aí, traz a triste notícia da morte de Mora Fuentes;

  • o Doni é tão querido que tem dois links (um no Marcos e outro no Donizetti), o homem tá no verbeat e no interney, e recentemente juntou Baden Powell, Vinícius de Moraes e Isobel Campbell, ouça;

  • o Drops da Fal (Azevedo) já é famosíssimo e você deve conhecer. Eu tive o prazer de assistir a mesa dela com os manos Bia e Branco em Campinas;

  • o meu mais novo grande amigo Daniel Martins escreve sobre a arte de ver crianças em cena, mas no último post fala da rápida visita que fez à minha coleção de disquinhos;

  • a querida Patrícia Carvoeiro, que conheci há pouco mas já tive o prazer da companhia no show do Francis Hime, porque a gente é fino. Ela me enviou um romance em PDF e vou ler nas férias, mas você pode ler já o cor-de-rosa e carvão;

  • minha colega de trabalho Renata Gazola divide comigo os momentos geek nos intervalos lá na escola. É bom saber que trabalho com uma blogueira de carteirinha;

  • e por último mas não menos importante, o brother, presidente da Confraria da Laje, o jornalista Agnaldo Rodrigues é o passageiro 34.
Cliquem aí e aproveitem.


Wednesday, June 24, 2009

hoje é terça-feira

Tudo bem, já é quarta-feira, mas você sabe que para mim o dia seguinte só começa depois que eu dormir e acordar. E como estou ouvindo semáforo do Vanguart, digo que hoje é terça-feira.

Acabo de voltar do Dona Breja, um bar bacana de Rio Claro, onde estava celebrando o final do semestre com alguns dos meus queridos alunos. E é com este leve grau etílico que trago uma novidade para você que aqui passa: o blog terá uma nova coluna escrita por mim, pelo André Montanhér e por Maurício Vigerelli.

Sem delongas, com a arte de Raquel Humphreys e o texto inaugural de André Montanhér: ALÉM DOS BOTECOS!





Gole inicial

A cultura dos bares nunca foi e nem será aceita nos meios acadêmicos e mesmo pela tradição intelectual. Nem poderia. E nem quer. A cultura de bar sobrevive paralela a isto, unindo setores os mais díspares da sociedade, as mais díspares das classes sociais, opiniões, sexo, raça e religião. Não tem síntese, antítese, tese, é orgástica e anárquica, estabelecendo o debate livre antes de qualquer coisa, destruindo todo e qualquer paradigma.

Perde o foco o sistema, ganha foco o homem. Perde o foco a sexualidade, ganha o foco o sexo. Sexo sujo, política suja, futebol sujo, tudo muito sujo, aos olhos da cultura tradicional. Se sujo é sinônimo de verdadeiro, sem Freud ou Marx para ficar bolando uma metáfora ou sistematização, o bar é o templo sagrado da verdade.

E mesmo anárquica, e até por isto, esta cultura se torna complexa, profunda e intensa. No que tange à estrutura de produção teórica, revolucionária, até. Enquanto Domenico de Masi queimava cópias e deslumbrava estudantes com o seu “Ócio Criativo”, a cultura de boteco já estabelecia o bar como espaço-tempo fundamental do questionamento da angústia capitalista traduzida no trabalho incessante. Uma máquina que gira em benefício de si mesma, que esmaga os colaboradores, e depois morre sem sentido, e que não tem no socialismo uma crítica real, do ponto de vista humanista.

O bar é a pátria dos verdadeiros revolucionários, um espaço-tempo onde a própria ladainha leninista fica suspensa no ar, dando margem a uma invasão anárquica de signos, cores, pessoalidades. O ego perde a majestade, e é preciso muito jogo de cintura, pois após iniciada a cerimônia da embriaguez, os conceitos se tornam fluidos e se atira para todos os lados, vários lados diferentes, independentes e livres. Ao mesmo tempo, sexualidade e futebol ganham o espaço da política e da economia, estabelecendo uma nova estrutura que tem o ser-humano como parâmetro.

Inebriados por este sentimento, três amigos iniciam agora uma Odisséia sagrada. O objetivo é conhecer, desvendar, literalmente beber a realidade dos bares de Limeira. Saber onde realmente se processa este jorro orgástico. Depois traçar em trôpegas linhas os relatos neste blog. Iremos onde nenhum de nós jamais foi, aos mais inacessíveis botecos de periferia, desafiando a fisiologia e até a cultura tradicional, ingerindo salgados e ovos coloridos ao som de músicas das mais RÁPIDAS (Adorno, Frankfurt, e coisa e tal). Torresmos e até sardinhas estão inclusas, não importam QUANTO TEMPO ESTEJAM EXPOSTAS NA VITRINE.

Levaremos nestas viagens fiéis companheiros de jornada, ou mesmo convidados especiais que só nos honrarão com suas presenças. Em cada bar, em cada estabelecimento que propõe a revolução cultural etílica, faremos um relato pormenorizado subdividido em pratos principais, música, ambiente e preço da cerveja. Não daremos nota ou coisa parecida, até por que isto seria demasiado fascista.

Venha conosco nesta emocionante aventura. Grande abraço.


OBS: o “Além dos Botecos” abraça a campanha CAZUZA TAMO JUNTO, do consagrado ator Theo Becker.

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Sunday, June 14, 2009

um minuto na vida

Tudo o que eu mais tenho pensado ultimamente é em teletransporte. Trabalhar em três cidades diferentes, viajar para cá e para lá para encontrar amigos, participar de uns eventos, enfim fazer parte do mundo é algo que exige tempo para se locomover. E eu realmente pagaria para ser teletransportado. Porque o tempo é tão raro e tão caro. Penso nisso e na importância dos segundos ou nas diferenças que isso faz nas nossas vidas.

Em uma sexta-feira de manhã saí de casa no horário para uma reunião em Piracicaba. Na noite anterior, estava assistindo uma entrevista do Maurício Pereira na internet e pensei que seria bacana pegar a estrada para Pira ouvindo o Pra Marte. Eis que acordo no horário, me preparo, saio tranquilo, mas quando chegava na padaria para comprar um pão de queijo notei que tinha esquecido o disco em casa. Bah, não vou voltar só por isso. Tem bons sons no carro para ir ouvindo.

Na estrada vou comendo o pão de queijo que estava bem bom e ouvindo alguns sons novos que o Biajoni passou pro meu pen drive.
Vinte e oito minutos de viagem, faltavam dois minutos para eu chegar no destino final, viro uma esquina, um carro que deveria parar não parou e aí eu tive que jogar o meu para o lado e pum! Bati em um carro parado.

Tive que trocar umas peças com nomes bizarros e correr atrás de boletim de ocorrência, levar o carro para mecânico, fazer análise para a seguradora, só coisa boa, percebe? Mas o carro não estragou muito, o que estragou foram os meus dias (que já eram curtos) e também minha conta bancária (que agora está arrombada).

Será que se eu voltasse para pegar o disco do Pereira nada disso teria acontecido? Aí já fico lembrando de "de caso com o acaso", "amores possíveis", "não por acaso", "efeito borboleta" e todos estes filmes que falam do que poderia ter acontecido se você mudasse uma coisa mínima no seu dia. E então fico divagando sobre o instante anterior, porque ele é fascinante.

E não é só de teletransporte que eu preciso para ontem. Eu preciso ser um melhor gerente do meu tempo. E não vai dar para esperar mais. Por isso começo agora esta minha nova promessa do ano. Botar a casa em ordem e trabalhar sem reclamar. Quero e preciso de ter tudo em dia. E sei que vai levar dias, semanas, talvez meses. Na verdade, acho que anos... Mas não dá para esperar nem mais um minuto. Chega de bla bla bla, Fábio!

No entanto achei de bom modo vir aqui dar um alô depois de ver o post do Adão Iturrusgarai que ficou uma semana fora e apareceu pedindo desculpas aos leitores por estar longe do blog. Eu, como um cara educado que sou, resolvi fazer o mesmo. Desculpa se veio aqui antes e teve que deparar comigo gritando desafinado no vídeo abaixo.

Desculpa pedida e esclarecimento pelo sumiço dado. Fui.

Monday, June 01, 2009

é que no peito do desafinado também bate um coração



batman admira a arte


Rafael Godoi é um grande músico e colega de trabalho. Este aí é o filho dele desenhando enquanto Batman observava o que ele fazia. Sábado participei de um show com os professores da Cultura Inglesa. Me diverti muito tocando com meus professores e agora colegas de trabalho: Marcello, Sérgio, Zé, Patrick e o Rafael. Mas o mais legal foi cantar o na nana na, de Hey Jude ao lado deste guri da foto!

Tuesday, May 26, 2009

whatever happened i apologize

Necrofilia não é comigo. Eu conheço um montão de gente que passa a cultuar um artista só depois que este morre. Nunca mais ouvi um disco inteiro da Cássia Eller. Lembro que recebi vários e-mails e ligações de amigos me dando os pêsames durante semanas depois da morte dela. Ela morreu no mês de dezembro e eu já nem lembro o ano, mas eu tava em Caraguá com o Fabião, curtindo a minha vida de vagabundo. Quando o Renato Russo morreu eu morava no Japão, o disco Tempestade chegou para mim na mesma época da morte dele. Eu tinha umas nuvens negras sobre minha cabeça e fiquei ouvindo o disco no repeat por dias, mas nem era pela morte de um dos últimos figuras que cultuei, era mais pelo meu espírito que estava combinando com aquele trabalho sombrio da Legião Urbana. Hoje eu não acredito em mais ninguém. Eu falo de John Lennon, mas estou longe de ser um grande fã dele. Gosto de Wilco e admiro um monte o front man Jeff Tweedy, mas não leio nem um terço do que aparece sobre ele na mídia. Hoje eu só ouço e sinto. O Zé Rodrix se foi, eu não tenho nada a declarar e nem tenho vontade de ouvir disco nenhum dele. Tem um disco do Sá e Guarabyra perdido por aí na coleção, mas não faço questão de ouvir, não. Mas tem uma morte que me deixou um tanto chocado. Fiquei surpreso porque ele estava bem vivo aqui para mim nas últimas semanas. Primeiro porque ele estava processando a ex-banda e pedindo cinquenta mil dólares de indenização por danos morais e direitos pelo trabalho com a banda. Depois porque ele tinha acabado de lançar um disco que está no meu pen drive que carrego para todo lado. E agora me arrepia ler o nome do disco, que em português fica: "Seja lá o que aconteceu eu me desculpo". Jay Bennett era um grande músico, e apesar das dores de cabeça que ele deu à Jeff Tweedy nas gravações de Yankee Hotel Foxtrot, o último disco do Wilco que participou antes de ser demitido, sempre achei que ele era parte fundamental da banda. Tem um site que escreveu 21 motivos porque Bennett deveria voltar à banda (aqui). E eu concordo com vários deles. Um dos motivos dados é que "My Darling - a canção mais bonita de Summerteeth foi inteiramente composta por Bennett". Summerteeth foi o primeiro disco que ouvi do Wilco. E esta canção foi uma das que mais ouvi do disco. E na mesma época em que a banda de Chicago disponibilizava o disco novo no site, Jay Bennett também lançava seu disco solo. Uma das últimas coisas que li sobre ele foi há poucos dias. Ele falava de uns vinis raros que ele vendeu para fazer uma cirurgia, parece que tinha detonado o joelho e precisava de grana para operar. Segundo amigos mais íntimos, Jay morreu dormindo. Todo o meu respeito. Sem este culto aos cadáveres.


Monday, May 25, 2009

esta vida é uma sinfonia amarga

Um dia o Nelson Shiraga Junior, irmão e fotógrafo que admiro pacas, estava em casa editando umas fotos que havia tirado de crianças; enquanto eu observava as fotos meu irmão me contou como tinha se apaixonado pela interpretação de uns guris que fizeram uma adaptação de Macbeth, de Shakespeare.

Talvez um mês depois, ouço o Biajoni e a Karen me contando como gostaram do talento das crianças que fizeram este trabalho em Iracemápolis, cidade vizinha de Limeira. O Bia ainda contou, em seu relato sobre a peça, como a Lia assistiu a peça e se comportou, pedindo apenas um suco e batata frita como recompensa. ;-)

Semanas depois conheço Daniel Martins, o responsável pela peça que foi até o Festival de Teatro de Curitiba este ano. Eles tinham duas apresentações marcadas e, como lotou o teatro duas vezes, fizeram uma apresentação extra.

Na noite de domingo, com o gentil convite do Daniel, fui com o amigo Paulo Corrêa até o CEAC, uma escola de arte pelo que entendi, em Iracemápolis para assistir a famosa peça com crianças de 8 a 12 anos. Quem recebe o público na entrada é um destes meninos, que com um ótimo tom de voz e uma dicção perfeita, manda um aviso e me deixa pensando por cinco minutos enquanto entro no espaço escuro e me acomodo esperando o início da peça.

Senhoras e senhores!
Antes que continuem seguindo viagem peço um momento de atenção para lhes contar uma história terrível: "Macbeth - a tragédia escocesa". Por favor não repitam este nome tão alto pois traz má sorte.
Se os senhores se perguntam porque crianças tão pequenas contam uma história tão trágica, eu respondo: é para mostrar a vocês o preço da ganância, da mentira e da traição. A vilania, meus senhores, é a marca da maldade e contra ela a lealdade, bem sabemos, é um santo remédio. E onde pode chegar o homem na sua sedenta e incontrolável busca pelo poder.
Ao passarem por esta porta, os senhores verão uma das mais terríveis tragédias já feitas. Sejam bemvindos e que Deus tenha piedade de nós.

Eu nunca li nada de Shakespeare, não sabia nada de Macbeth, e não me orgulho disso. Mas não foi envergonhado que aprendi e me surpreendi, por mais que tivessem me avisado antes, com a atuação destes grandes meninos. Foi um enorme prazer saber que pequenos tão talentosos me ensinaram lindamente sobre esta obra e também me fizeram sair da escola onde se apresentaram com um nó na garganta pensando nesta vida fora de equilíbrio.

Muito bem equilibrada é a trilha sonora que Daniel Martins preparou para a peça. Ele fala neste post sobre a licença poética de escolher músicas que fogem da época da obra escrita. Eu achei que todas as músicas estavam muito bem colocadas ali, e é um grande barato flertar com o moderno, assim como fez Sofia Coppola em Marie Antoinette, colocando a linda Kirsten Dunst atuando ao som de bandas como Strokes e Cure ao fundo.

E olha o que mais o Daniel preparou. Para os seus alunos ele fez um CD com a trilha sonora e escreveu o seguinte:

"Meus alunos,
...
Aqui nesses CDs vocês vão encontrar a trilha sonora completa de Macbeth, com músicas especialmente escolhidas para o nosso espetáculo. São faixas sombrias, sinistras e até mesmo tristes, mas que, ironicamente, são essas mesmas músicas tristes que nos trazem lembranças tão boas, que nos fazem recordar das risadas, das brincadeiras e de toda a nossa amizade. Foi um ano difícil, eu sei: um ano de muito trabalho, ensaios e dedicação. Sorrimos juntos, choramos juntos. Mas agora nosso espetáculo está pronto e eu vejo como valeu a pena. Nossa peça é linda, molecada, não tem quem não fique apaixonado por ela. E isso tudo graças a vocês. Sei que ela não vai durar pra sempre. Assim como a nossa turma também não vai durar. Alguns vão embora, alguns vão continuar. A vida segue. Sempre que sentirem saudades dessa época, coloquem o CD pra tocar. E lembrem-se da loucura que foi montar Shakespeare! Agora eu sei: vale a pena acreditar no homem.
...
Matheus, Jé, Dani-Dani, Fábio, Baby, Cesinha, Micha, Lara, Vandi, Cedro, Jami-Jami, Lucas, Thiago e Gabi. Eu amo vocês."
...
Professor Daniel


Abre um parêntese aqui.
Ver um professor dedicado assim, faz a gente crer que vale a pena acreditar no homem. E fico muito feliz de saber da importância da música na peça e no trabalho destes meninos. Já que a música sempre foi minha salvação, eu gosto de ver quando isso acontece com outras pessoas, saber que isso traz tantas lembranças e emoções. Eu sou ingênuo, eu sei, achar que pudesse ser o único a me ligar nestes detalhes. Olhe esta foto e vejam esta lousa. O professor Daniel na escola do rock! A vida é cheia de som e fúria. Fecha o parêntese.


Um pouco antes do final da peça, ouvimos "What a wonderful world", com cenas leves, que tiram sorrisos do público, para então no final, enquanto o bobo da corte diz que vale a pena acreditar no homem, os atores (fora dos personagens) nos lembrarem das tragédias ocorridas nos últimos anos.

As mais de cem pessoas que lotaram a escola aplaudiram de pé esta última apresentação de Macbeth feita pelos atores mirins cheios de futuro. Daniel, o responsável por tudo isso, em grande estilo captain, my captain, subiu na cadeira para aplaudir os meninos. Demais!

Eu, aqui, ainda chocado com a morte da menina de 8 anos baleada em Rio Claro (ela estudava na Cultura Inglesa em que trabalho), vejo uma matéria na TV onde a mãe da menina disse ter doado todos os órgãos da filha. Vale a pena acreditar no homem.


Blog do Núcleo de Vivencia Teatral: Um Paraíso na Terra.
Vídeos: Projeto Núcleo de Vivência Teatral.
Fotos do Festival de Curitiba: Macbeth.
A trilha sonora: Uma trilha sonora anacrônica.

Sunday, May 17, 2009

virada cultural paulista em indaiatuba

Trabalhei em Pira na manhã do sábado e por volta das 13:30 estava com os pés na estrada em direção à Indaiatuba, encontrar os amigos do Nada Audiovisual para um trabalho: captar imagens do local, colher depoimentos do público e fazer algumas entrevistas. Aqui vai uma síntese do que rolou nesta minha segunda louca virada cultural deste ano.

18:05 Eu curto ver banquinhas com discos e camisetas. Nesta aqui tem este disco compacto, azul, com músicas do Móveis e do Little Quail: Vai Thomaz no Acaju.

18:20 Bexigas voam, baldes fazem parte da decoração e os Móveis Coloniais de Acaju sobem no palco. Picchi e Suzuki registram.

18:40 O público é pequeno mas bem caloroso. Eles realmente conhecem as música, cantam juntos! :-0

18:42 Dançar ska é legal!

18:45 Palmas, pulos e la la las reinam no show.

18:57 André Gonzales (o vocalista): "Infelizmente o novo disco não está à venda aqui, mas você pode baixar de graça."

19:00 O Mac diz que é o show mais divertido do país. Eu assino embaixo. Os caras chegam ao final do show no meio do público! Bem legal isso!

19:05 Fabrício Ofugi (produtor do Móveis) confirmou que a banda vai dar uma entrevista prá gente. Boa!

20:17 Falando de casas de shows no interior de SP, eles citaram por duas vezes o Hocus Pocus, casa de shows de São José dos Campos, dirigida pelo Toninho.

20:30 Fim da entrevista com o Móveis, feita dentro do ônibus deles.

21:40 Vendo Marcelo Nova sentado na frente do palco. Amordaçaram Beth!

21:48 A movimentação atrás do palco prende a minha atenção. Organizadores do evento zanzando de lá para cá; pessoas vestidas de branco estão dentro da ambulância comem um doce; roadies descarregam uma van com instrumentos para o show do Lenine; um segurança corre.

22:00 Tá cheio!

22:02 Marcelo Nova: "O cenário musical brasileiro está cheio de filhos! Esta banda não tem pedigree, Marcelo Nova e os filhos da puta!"

22:10 Eu deveria ter vindo com minha blusa que me deixa parecendo um bonecão de posto, mas me aquece deveras. Tá muito frio.

23:15 Lenine chegou aqui atrás do palco, foi direto pro camarim. Estamos entrevistando Paulo Cerello, do Circo Vox.

00:00 Show do Lenine! Parque Ecológico de Indaiatuba lotado!

00:30 Dentro do carro, comendo pastel de queijo, tentando me aquecer, porque a noite vai ser longa.

00:45 Entrevistando o baixista do Dead Fish, Alyand, que está me falando de gente de Limeira! Da Laranja Ao Caos.

01:08 O mano do Tolerância Zero está falando da cena local e sobre as dificuldades de se viver de música. Ele lembrou o nome da música que fez eu vender a trilha do Invasor, em Londres, aos baldes. A música é do Tejo, Black Alien e Speed. O motivo do hit? O respeitadíssimo jornal britânico Guardian explica aqui.

01:30 Lenine ainda no palco. Nos despedimos do povo da produção da Virada Cultural Paulista que está no parque. Próxima parada: teatro.

02:00 No camarim do teatro (aqui está quente! aqui tem café! e comida!!!) trocando umas ideias com os atores do Clube do Improviso.

02:05 O povo é gente fina. Tô com vontade de ver a apresentação.

02:40 Depois de entrevistas do Ricardo, sentamos para comer.

02:50 Fila kilométrica do lado de fora do teatro. Metade do povo vai voltar para casa.

03:33 Cansado, mas feliz na base, casa dos Ming. Que lugar quente e aconchegante! Boa noite.

08:05 De pé.

10:00 Osesp se apresenta no teatro de Indaiatuba. Pessoas que ficaram de fora protestam! "O teatro é do povo!"

11:07 Captando depoimentos do público que na maioria das vezes surpreende, nos deixando felizes com as ótimas falas!

12:22 O Biajoni, via telefone, me dando boas novas!

12:59 No caminho para almoço, o Suzuki me fala sobre nosso brother William Maeda. Disse que ele está com uns vídeos no youtube. O William é um baita guitarrista! Virtuoso é pouco!

13:02 Pausa durante o almoço para falar do meu blog, do site do Nada, de twitter e sobre visitas.

14:20 De volta ao teatro... Rola uma apresentação atrativa com o Grupo Fandango de Chilena dos Irmãos Lara. Viola e dança com homens vestidos de vermelho e usando chapéu preto. Fica bonito no sol.

14:39 Estamos esperando o Yamandu Costa. Quero dormir.

14:59 Um segurança para uma moça: "Não está sendo possível estar saindo para fora." Uh! Doeu. Mesmo.

15:21 Músicos que acompanham Yamandu entram pelos fundos, onde estamos, com seus instrumentos. Já te disse que curto ficar vendo cases diferentes, destes que você fica se perguntando o que deve ter lá dentro?

15:32 Nicolas Krassik é um violinista francês que mora no Brasil há oito anos. Queria falar tão bem o francês quanto ele fala o português.

15:46 Yamandu toca violão e fala com o Nada Audiovisual!

16:20 Registramos uma companhia de dança, rolavam vinis no som.

16:40 Ouvindo conversa alheia: "Não dá para fazer isso duas vezes por ano. Virada Cultural é muito loucura!" E eu penso: esta é a minha segunda virada cultural este ano. Loucura boa!

17:00 Ansiedade no ar. Fila enorme para ver Yamandu. Produtores aflitos. Mas Yamandu quer deixar tudo certinho para fazer bonito no Youtube.

18:38 Fim da brincadeira. Missão cumprida!

Quase 24 horas no ar respirando arte, duas vezes no mesmo mês não é bolinho, mas é um tesão. Minha cama me espera. Com licença.


Valeu pelo findie, meus caros!

Wednesday, May 13, 2009

life is beautiful


Monday, May 11, 2009

feito poeira ao vento

Passei o final de semana na casa da minha mãe. Dormi pela semana inteira.
Fui com meus irmãos e aprendi umas coisas sobre fotografia com os dois. Eu sou o único que não tem o menor dom para fotografar, apesar de adorar o hobby.
Acabei de ver o vídeo "feito poeira ao vento", do fotógrafo Dirceu Maués e penso que preciso bater mais uns papos com meus maninhos e ver se me dedico mais nesta arte que tanto me fascina. Dá uma olhada no vídeo:



A dica é da Dani Arrais:

ele fez a seqüência de 991 fotografias, com câmeras pinhole, captadas em uma única ação durante quatro horas. como diz a descrição, o vídeo mostra, em três minutos e meio, “a transmutação de espaço/movimento da feira em um giro de 360 graus. Vai do frenético movimento, da agitação e burburinho, do início da feira ao esvaziamento desse espaço”

E pensar que a minha lata mágica aqui poderia render muito mais...



Quem me ensinou a montá-la e revelou algumas das fotos feitos por esta lata mágica foi o amigo, fotógrafo e mestre Oliver Mann.

Saturday, May 09, 2009

oi

Aguenta aí que eu já venho. Mas dá uma espiada nas frestras.

Friday, May 01, 2009

virada cultural

Quero ver:

18h00 Arrigo Barnabé – Teatro Municipal
21h00 A noite mais fria do ano – Sesc Avenida Paulista
00h00 Marcelo Camelo – Av. São João
01h50 Curumim – Largo Santa Efigênia
03h00 Wander Wildner – Sesc Consolação
05h20 MQN - Praça da República
06h00 Violeta de Outono - Teatro Municipal
12h00 Zeca Baleiro - Av. São João
14h00 Wado – Sesc Santana
15h00 Novos Baianos - Av. São João
18h00 Maria Rita - Av. São João

Como estou velhinho, é provável que eu precise de um intervalo para dormir.
Voltando para o interior vou direto para Iracemápolis para ver o Pato Fu.

Thursday, April 30, 2009

um belo clipe na quinta

Curtindo o dia anterior do feriado.

BlitzenTrapper - Furr

Monday, April 27, 2009

p r a a m a r t e

São Paulo sempre me agrada. Um dia ainda moro lá.
O show do Maurício Pereira foi lindo, o André Abujamra twittou lá do palco e do backstage junto com Pena Schmidt que twittava enquanto acompanhava a apresentação e comia pizza e cocada.
O grande pianista Daniel Szafran gostou do meu registro e eu fiquei mais feliz ainda!

[maurício pereira e a big band]

A Karen e o Biajoni, sempre ótima companhia, também adoraram e voltamos para Limeira ainda viajando com os sons que ouvimos na noite.



Domingo, antes de me encontrar com a Karen e com o autor do romance Buceta, fui almoçar com o brother Fabião. Dei uma passada lá na Praça Omaguás para encontrá-lo. A Alessandra me contou como foi o show do Lô Borges com o Bituca (xará, perdemos um baita show, mas os ingressos acabaram em 20 minutos!). Uma amiga deles lá da Feira de Artes da Omaguás apareceu e me cumprimentou como the nowhere man! O Fabião e a Alê andaram divulgando meu blog ali naquele lugar bacana e eu fico lisonjeado. Então para os amigos da Praça Omaguás, lá de Pinheiros, encerro este post com esta letra do grande Maurício Pereira:

Modão de Pinheiros
(ou “É por Isso que as Pessoas Mudam de Bairro”)

(Maurício Pereira)

foi no bairro de Pinheiros
que eu me entreguei por inteiro
para uma linda moça
que descia a Rebouças

ela entrou na Henrique Schauman
eu logo perdi a calma
virando na Teodoro
eu falei: "eu te adoro"

respondeu-me "deixa disso!"
na Benedito Calixto
e eu fiquei chorando à toa
na calçada da rua Lisboa

mas a sorte foi bacana
e na Cristiano Viana
vi alguém descer contente
desde a Capote Valente

era a moça que se fora
que voltava da João Moura
nós ficamos apaixonados
fomos pra a Dr. Arnaldo

a moça então falou "vem cá que o caso é sério,
vem aqui comigo para o cemitério"
eu disse "minha pequena
comigo não tem esquema
ou nós vamos pro cinema
ou pra a Vila Madalena"

zum!!!

ela então sumiu e me deixou mal
eu desci correndo a rua Cardeal
fui me arrastando a pé…
e emboquei na Sumaré

aí eu fui pro Itaim
e nunca mais se ouviu falar em mim…

e é por isso que as pessoas mudam de bairro.


Saturday, April 25, 2009

vamos no show do pereira?

Caríssimos, amanhã tem show do Maurício Pereira no Auditório Ibirapuera, em Sampa.
Vou com os amigos Biajoni e Karen.
Os primeiros dois que ligarem dizendo "QUERO VER O SHOW CONTIGO!" ganham ingresso.
Estarei no celular: 19 8146-9189


• dia 26, domingo, 19h;

Pra Marte e convidados no Auditório Ibirapuera ;
São Paulo/SP;
Parque Ibirapuera, Portão 2;
(em frente ao Detran)

Um super PRAMARTE c/2 entradas.
Vc paga 1 e assiste 5:
Pra Marte, Mergulhar, Terno Plays Pereira, Mulheres, Waack-Penhasco Regional…
Com canjas dum lado pro outro…

R$ 30 e 15;

Friday, April 24, 2009

friday, i'm in love

Depois de ver tira de hoje do Caco Galhardo no jornal, com o tosco e ótimo Chico Bacon, não pude deixar de postar a foto desta beldade.


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